Céu incandescente - PRELÚDIO
As luas do meu céu incandescente,
Gritam tolas palavras sem nexo
Ou objetivos em si definidos,
Desesperadas correm pelo rubro,
Da minha noite de ódio solitário,
Jorrando as minhas verdades,
E meus desafios.

O galopar de seus discos me hipnotiza,
E cobre de sangue, do poente ao nascente,
Minhas madrugadas insanas,
De orgias solitárias e insaciáveis,
Como o espirito do que as vê,
Morte e vida no reino estéril.

Uma pedra, e é morta a ave,
Um atino e a vida se esvai,
Em meio ao galopar baixo,
De um gorgurante suspiro,
Um grito sem voz inteligível,
Na fuga da vida fugidia,
Nas portas da não vida.

Como correr então,
De onde não há fuga,
Nem caminho livre,
Para o que busca,
A eternidade na vida.....

Sozinho, coberto de solidão,
Vago eu, entre os campos velhos,
E sussurros de seus fantasmas,
Das criaturas que impingiram-lhes,
Sua essência de vida temporária.

Sou um botão no paletó da noite,
Estrela bordada em uma velha colcha,
Roída pelo tempo e maltratada,
Pelas estações dos anos vis,
E dos bons anos dos quais,
Já não me restam lembranças.
O meu olhar para o alto da noite,
Extrai de minhas entranhas um uivo,
Tão rasgante e perfurante,
Que meus próprios tímpanos,
Se ressentem de meu grito,
Animal e primevo, presente,
De meus antepassados das estepes.

Hora me vem no peito,
Entre meus dois corações,
Um lampejo, um desejo de guerra,
De gosto de sangue espirrado,
Molhado nas unhas e nos dentes,
Proibido pela lei.

A adaga pende de minha cintura,
Provocante lembrança,
De um passado não meu,
De uma vida não minha,
Ponteando o calor insuportável,
Carregado só nos mistérios,
Do meu sangue guerreiro.

Cerro forte, os meus dentes,
E parto feroz em uma busca ,
De sangue, gritos e silencio,
Perseguindo meus pesadelos,
Que estarão mortos,
Ao amanhecer.....